Porque Colecionar Relógios ?
Escrito por Álvaro Sousa Sábado, 21 Maio 2011 21:15
Porquê coleccionar relógios?
O que deve saber e ponderar.
Todas as colecções de relógios começam com uma peça especial. O relógio recebido quando se entrou para a escola, o que o nosso pai usou na guerra, ou aquele que o avô nos deixou. Pode ainda ser aquele que esforçadamente adquirimos com o nosso primeiro salário, ou aquele que compramos numa viagem àquele destino especial. Qualquer um deles pode ser o início de uma colecção que vai ganhando corpo, dedicação do seu proprietário e que, acima de tudo, nos vai fazer desenvolver um gosto especial pelo conhecimento de tudo o que tenha relação com estas máquinas.
A colecção não se inicia quando adquirimos uma das peças acima descritas, ela só tem verdadeiramente início quando nos damos conta de que já estamos a pensar em adquirir outra, quando nos começamos a preocupar em passar naquela lojinha que costuma ter relógios antigos ou em saber as datas das feiras onde estas peças se costumam transaccionar. Daqui a pensar em adquirir um terceiro ou um quarto relógio é um passinho e, quando damos conta, realizamos que estamos a fazer uma colecção.
Mas de facto, nesta fase, não somos ainda verdadeiros coleccionadores de relógios. Somos mais algo a que se pode chamar “adquirentes” e “amantes” de relógios. Quando nos apercebemos disso e olhamos para as peças que fomos juntando dificilmente conseguimos perceber qual a relação que têm umas com as outras. Para além de serem “máquinas do tempo” e terem todas sido adquiridas por alguém que se apercebeu que tinha um enorme prazer em as usar, tratar, restaurar e preservar, nada mais têm em comum.
Independentemente da existência de uma especialização ou da aquisição de apenas determinado tipo de relógios é preciso saber o que se pretende fazer com eles. Pretende usar os relógios da sua colecção? Mantê-los no estado em que se encontram ou restaurá-los? Que tipo de relógios quer coleccionar: de bolso, de pulso, militares, de mergulho, clássicos ou desportivos?
A questão do investimento em relógios é também uma questão a ponderar. É de longe aconselhado que os primeiros passos sejam dados na direcção certa e que as aquisições sejam bem reflectidas e realizadas em comerciantes sérios e conhecidos. As chamadas “pechinchas” resultam, em regra, em maiores despesas. É normal que os primeiros passos de um “aprendiz” coleccionador de relógios, movidos pela ânsia e acompanhados de grande desconhecimento, culminem em alguns enganos por parte de vendedores menos sérios. Por tal facto é aconselhada ponderação, recolha de informação acerca da peça que se pretende adquirir, do vendedor da mesma e se possível da companhia de alguém mais entendido na matéria. No que respeita ao valor de um relógio há vários factores que deve ponderar:
Primeiro é preciso saber que se trata de um mercado bastante influenciado pelas flutuações económicas e financeiras globais. Em momentos de crise, quando em regra baixa a procura de relógios antigos, há uma tendência para que os valores possam descer um pouco. Ao contrário, em momentos de saúde economica e financeira há uma tendência para uma subida em virtude das pessoas efectivamente estarem mais interessadas na aquisição de tais peças e de haver uma maior procura.
Não deve pensar em adquirir um relógio hoje na convicção que vai ganhar dinheiro no dia seguinte ou no próximo mês. Os relógios são peças de arte e, à semelhança de outros tipos de colecções, têm uma valorização lenta e gradual que não é igual para todos, apenas algumas peças ganham valor em função de determinados factores que têm muito de aleatório e incerto.
Assim há questões e elementos que são verdadeiramente importantes e que devem ser analisados quando se adquire um relógio, a saber:
Originalidade de todas as partes que o compoem;
É importante verificar se um relógio tem o mostrador original ou restaurado, se os ponteiros são os que efectivamente pertencem à peça em causa, se a caixa não foi restaurada em virtude de danos anteriores, se a máquina que ali se encontra é a que efectivamente ali deveria estar, se sofreu algum tipo de alterações, se o vidro e a bracelete são originais, etc...Antes de adquirir um relógio é aconselhada uma pequena pesquisa ácerca do mesmo em revistas da especialidade, na internet ou junto de profissionais do ramo.
Conservação geral do relógio em função da sua idade;
Aqui deve ser dada atenção ao estado geral do relógio em função da idade e do uso que teve. É possível encontrar um relógio com 50 anos que se encontra em optimo estado porque teve pouco uso ou porque o seu proprietário era muito cuidadoso, por outro lado, há situações em que um relógio de apenas 5 ou 10 anos se encontra muito danificado face, por exemplo, ao uso que teve derivado da profissão/actividade do seu proprietário.
Funcionamento da totalidade das suas funções;
Em relógios muito antigos, onde a dificuldade ou até impossibilidade de obter peças é uma realidade, deve ter-se a garantia de que tudo está a funcionar como deveria. Tal averiguação pode ser dificil para um “aprendiz” de coleccionador pelo que se aconselha o contacto com um profissional a fim de saber se tudo está em conformidade com a peça em causa, sua idade e uso.
Raridade da peça em causa;
Este é sem dúvida o factor mais importante para quem, para além de ter um gosto e vontade de coleccionar relógios, pretende fazer de uma colecção um investimento. É preciso saber se há muitos ou poucos relógios de determinado modelo, mas também a procura do mesmo é importante. Um determinado modelo pode até ter vários milhares de unidades produzidas, mas se a sua procura for muito grande por parte dos coleccionadores vai acabar por o tornar raro e mais valioso do que um outro modelo que até pode ter menos peças produzidas mas que não teve tanta procura ou aceitação por parte daqueles.É também importante lembrar que não deve adquirir relógios em mau estado e com muitos problemas. É sem dúvida e em função do seu orçamento preferivel adquirir um ou dois bons relógios do que gastar aquele num enorme amontoado de peças que nunca vão obter qualquer valor de colecção ou acréscimo ao montante que nelas se dispendeu.
Apenas quando o conhecimento e “know how” é já avançado se poderá partir para aventuras no que respeita a aquisições de relógios em mau estado ou de partes de relógios. Nestes casos, sem dúvida excepcionais, estamos apenas a falar de peças que valem todo o investimento e dedicação em função da sua raridade, antiguidade e consequente valor de mercado. Tal situação pode apenas ser viável, entre outras, em marcas do nível de Patek Philippe, Vacheron Constantin, Rolex, Jaeger-LeCoultre, IWC e Audemars Piguet.
Por fim é também relevante referir a questão da manutenção da sua colecção de relógios. Há peças que, face à sua idade e raridade, pura e simplesmente não devem ser usadas. A simples transpiração e consequente oxidação provocada podem acarretar danos enormes. Também a mera questão do funcionamento é importante. Os relógios mecanicos devem trabalhar frequentemente pois é o seu funcionamento que lubrifica todas as peças da sua máquina. Um relógio mecanico que não trabalhe por longos períodos de tempo tem tendência a ficar com parte dos seus componentes “secos” o que vai trazer danos e provocar avarias com o tempo. Leve os seus relógios de colecção anualmente a u




